Todos os dias pensava em como eu te amava, em como você me completava.
E por mais que você estivesse longe, isso me fazia bem. Me fazia sorrir.
Eu olhava ao meu redor, e todos eram tão pequenos perto de você.
Aos poucos, essa sua presença certa na minha vida, foi ficando cada vez mais longe.
Eu já não podia sentir teu cheiro, ouvir tua voz e meu coração foi ficando apertado, deixando de bater.
O amor, eu sempre achei isso, eu invento. Inventei meu amor por você. É certo que havia materialidade na qual me apoiar. Fatos concretos. Mas como explicar fatos concretos aos sentimentos? Eu inventei esse amor e o vivi por um ano e dez meses.
Agora, eu preciso que ele vá. Eu preciso des-inventá-lo.
Nunca me doeu tanto fazê-lo. E eu sinto que talvez esse processo não seja tão fácil quanto os anteriores. Pela primeira vez, dói profundamente.
Mas a vida aqui me chama.
É primavera e já vem o verão.
Eu te amei muito.
Desculpe, mas eu já não posso mais.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Novas divagações sobre o amor, no dia que faço 25 anos
Quem amo?
Me faço essa pergunta às vezes e não tenho resposta.
Me lembro das pessoas que achei amar, das pessoas que amo.
No caso dos meus amigos, da minha família, tenho a impressão de que sim, amo os e tenho tanta certeza disso que logo se vão das minhas indagações. As coisas, situações e histórias que amo, também. Viram fumaça.
A preocupação passa a centrar se nos homens que amei.
Faço 25 anos hoje.
Se morresse hoje, poderia dizer que amei três homens. E o pior é que me confundo nos tempos verbais. Não sei se são pretérito perfeito ou imperfeito. Não sei são presente. Gostaria que fossem futuro do presente, nunca futuro do pretério.
Às vezes tenho a impressão de que, na verdade, nunca amei nenhum dos três. Amei, talvez, o fato de amar. E amo as lembranças que tenho de cada um. Das ruas de La Paz, o prédio de Mujeres Creando, dos abraços, do cuidado. Assim como caminhar pela Lapa e por Santiago, escutá-lo tocando. Assim como amo as praças de Buenos Aires. Minha sorte é que não preciso escolher. Apenas viver. Uma vida onde não nos entregamos à simplicidade de viver um amor, sem muitas complicações, não é uma vida. É vegetar. É o amor quem nos tira da condicão de meros mortais. Tudo passa a outro nível de significação, os signos tornam se mais complexos. Essa impressão boba que temos de que vamos amar aquela pessoa a vida inteira. E vamos. Mas vamos amar a outras também. Sempre. Todos os dias. E é sempre assim. Levamos nossa vida tranquilamente, sem grandes sustos, até que um dia um alguém sem muita graça aparente, nos leva a uma existência superior. Nos faz sentir que flutuamos, que somos alguém mais na multidão, nos faz sentir que os minutos não passam e coisas que eu nunca parei pra pensar. Vou pedir ao meu próximo amor pra dar um tempo e pegar meu caderninho de notas. Preciso anotar tudo, talvez assim entenda melhor o amor. Mesmo que eu sempre diga que eu não me preocupo em entendê lo, apenas em viver, em sentir.
Mas meu pensamentos de divagação precisam ir. Tenho um roteiro pra escrever. Um filme para analisar. Já perdi a conta das leituras e das monografias do Mestrado. Morreu Néstor Kirchner, as coisas aqui vão se complicar, acredito. Hoje é dia de Censo. Escuto Cássia Eller. Olho pra tela do computador, pros textos na cama. Só queria um beijo numa praça e uma mão no meu pescoço. Eu deixaria tudo pra ir a Santiago e a Chicago. Pra La Paz não, tenho medo. Sinto que posso flutuar e não sei quem amo mais. Vou voltar pra vida real. Vamos lá, analisar Reconstruction, de Christoffer Boe. Mas o amor, será sempre meu. Minhas lembranças ninguém pode roubar. Só o tempo.
Me faço essa pergunta às vezes e não tenho resposta.
Me lembro das pessoas que achei amar, das pessoas que amo.
No caso dos meus amigos, da minha família, tenho a impressão de que sim, amo os e tenho tanta certeza disso que logo se vão das minhas indagações. As coisas, situações e histórias que amo, também. Viram fumaça.
A preocupação passa a centrar se nos homens que amei.
Faço 25 anos hoje.
Se morresse hoje, poderia dizer que amei três homens. E o pior é que me confundo nos tempos verbais. Não sei se são pretérito perfeito ou imperfeito. Não sei são presente. Gostaria que fossem futuro do presente, nunca futuro do pretério.
Às vezes tenho a impressão de que, na verdade, nunca amei nenhum dos três. Amei, talvez, o fato de amar. E amo as lembranças que tenho de cada um. Das ruas de La Paz, o prédio de Mujeres Creando, dos abraços, do cuidado. Assim como caminhar pela Lapa e por Santiago, escutá-lo tocando. Assim como amo as praças de Buenos Aires. Minha sorte é que não preciso escolher. Apenas viver. Uma vida onde não nos entregamos à simplicidade de viver um amor, sem muitas complicações, não é uma vida. É vegetar. É o amor quem nos tira da condicão de meros mortais. Tudo passa a outro nível de significação, os signos tornam se mais complexos. Essa impressão boba que temos de que vamos amar aquela pessoa a vida inteira. E vamos. Mas vamos amar a outras também. Sempre. Todos os dias. E é sempre assim. Levamos nossa vida tranquilamente, sem grandes sustos, até que um dia um alguém sem muita graça aparente, nos leva a uma existência superior. Nos faz sentir que flutuamos, que somos alguém mais na multidão, nos faz sentir que os minutos não passam e coisas que eu nunca parei pra pensar. Vou pedir ao meu próximo amor pra dar um tempo e pegar meu caderninho de notas. Preciso anotar tudo, talvez assim entenda melhor o amor. Mesmo que eu sempre diga que eu não me preocupo em entendê lo, apenas em viver, em sentir.
Mas meu pensamentos de divagação precisam ir. Tenho um roteiro pra escrever. Um filme para analisar. Já perdi a conta das leituras e das monografias do Mestrado. Morreu Néstor Kirchner, as coisas aqui vão se complicar, acredito. Hoje é dia de Censo. Escuto Cássia Eller. Olho pra tela do computador, pros textos na cama. Só queria um beijo numa praça e uma mão no meu pescoço. Eu deixaria tudo pra ir a Santiago e a Chicago. Pra La Paz não, tenho medo. Sinto que posso flutuar e não sei quem amo mais. Vou voltar pra vida real. Vamos lá, analisar Reconstruction, de Christoffer Boe. Mas o amor, será sempre meu. Minhas lembranças ninguém pode roubar. Só o tempo.
Marcadores:
Filosofia de banheiro
Local:
Capital Federal, Argentina
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Eu sou o completamente outro ou para a página do meu diário
Tantas coisas tenho para dizer sobre isso que me custa começar. E isso, por vários motivos, pela língua (me mezclan los idiomas, la lenguas....), por la necesidad de escrever, de colocar para fora, de cuspir todas a reflexões que Derrida ocasionou em mim. No sé, todavia, no se trata de uma reflexión filosófica. Eu diria, antes, que são reflexões espirituais, internas, emocionais. Não me preocupo com os conceitos, exatamente. Mas, com o que os conceitos (nada conceituais) de Derrida me fizeram, me fazem perceber, perceber o estado atual das coisas.
Bem, eu, somente aqui na Argentina, me percebo como brasileira. Exatamente pelo não reconhecimento por lo cual paso aqui. Eu não me vejo pelas ruas e, pela primeira vez, me doy cuenta do que é o Brasil, pela falta dele. A verdade é que eu não compreendo e não aceito, convivo, com a cultura vigente aqui. Porque aqui não me reconheço, não me reconheço nesta cultura (falo de Buenos Aires estritamente e talvez de um ambiente nada muito favorável, como Faculdade de Ciências Sociais e ruas centrais).
E tampoco eles se reconhecem em mim. Aqui eu sou a estrangeira. Eu sou a outra, a completamente outra. E, pior, sinto a repulsa deles em relação a tudo o que eu sou, a tudo que sempre tive orgulho de ser. Sinto que não há, nenhuma, nem a mais mínima, vontade de aceitar o meu jeito de ser.
Aqui eu sou a puta, a fora da lei, a extravagante. E tudo isso por algo que é tão banal e básico em nossa cultura, em nossa forma de viver. Tudo isso pelo olhar, sorrir e falar. Eu olho, sorrio e falo. A tudo, com tudo e para tudo e todos. Sem discriminação. Quase sempre sem maiores interesses. Fazemos isso automaticamente. É como se nossos músculos faciais estivessem programados para sorrirem quando olham uma pessoa. E, antes, nossas pupilas, programas para olhar GENTE. E pior se falamos de outras coisas, da nossa maneira tão feliz de mirar e viver la vida, apesar de tudo. Nós precisamos cantar. E me olham, quando fazem iso....como se eu fuera uma criminosa. E me temem. Creio que temem que a leveza e o sorriso contagie a cultura deles. Manche a cultura deles.
Derrida fala da hospitalidade incondicional. A sorte é que essa hospitalidade é sempre uma promessa. Porque, na carne, não posso dar e nem sentirla.
22 de julho de 2010. Por volta das 21h. Em meio a aula do Mestrado.
Bem, eu, somente aqui na Argentina, me percebo como brasileira. Exatamente pelo não reconhecimento por lo cual paso aqui. Eu não me vejo pelas ruas e, pela primeira vez, me doy cuenta do que é o Brasil, pela falta dele. A verdade é que eu não compreendo e não aceito, convivo, com a cultura vigente aqui. Porque aqui não me reconheço, não me reconheço nesta cultura (falo de Buenos Aires estritamente e talvez de um ambiente nada muito favorável, como Faculdade de Ciências Sociais e ruas centrais).
E tampoco eles se reconhecem em mim. Aqui eu sou a estrangeira. Eu sou a outra, a completamente outra. E, pior, sinto a repulsa deles em relação a tudo o que eu sou, a tudo que sempre tive orgulho de ser. Sinto que não há, nenhuma, nem a mais mínima, vontade de aceitar o meu jeito de ser.
Aqui eu sou a puta, a fora da lei, a extravagante. E tudo isso por algo que é tão banal e básico em nossa cultura, em nossa forma de viver. Tudo isso pelo olhar, sorrir e falar. Eu olho, sorrio e falo. A tudo, com tudo e para tudo e todos. Sem discriminação. Quase sempre sem maiores interesses. Fazemos isso automaticamente. É como se nossos músculos faciais estivessem programados para sorrirem quando olham uma pessoa. E, antes, nossas pupilas, programas para olhar GENTE. E pior se falamos de outras coisas, da nossa maneira tão feliz de mirar e viver la vida, apesar de tudo. Nós precisamos cantar. E me olham, quando fazem iso....como se eu fuera uma criminosa. E me temem. Creio que temem que a leveza e o sorriso contagie a cultura deles. Manche a cultura deles.
Derrida fala da hospitalidade incondicional. A sorte é que essa hospitalidade é sempre uma promessa. Porque, na carne, não posso dar e nem sentirla.
22 de julho de 2010. Por volta das 21h. Em meio a aula do Mestrado.
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Buenos Aires, Argentina
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Salut, Salud, Saúde: viva o grande amor!
Tem dias em que eu acordo acreditando que sim, que vou viver, de novo um grande amor. E, me lembro, com carinho, dos grandes pequenos amores que vivi. Sim, foram grandes pequenos amores. Grandes, porque intensos; pequenos porque não duraram muito (nao vou contá-los aqui no blog porque sou uma pessoa muito, mas muito discreta). Mas o que importa, sempre, é viver.
Penso na dor ou na incompletude de alguém que nunca tenha vivido um grande amor. Desses que nos fazem perder a cabeça e deixar tudo, tudo, para vivê-lo. Por isso, este post, é em homenagem a duas amigas que tiveram a coragem de viver um grande amor, talvez o maior da vida delas: a brasileira Lídia Amorim e a chilena Cláudia Campos.
Chicas, eu me sinto orgulhosa de vocês e, sinceramente, sinto uma pequena invejinha. Meu coração palpita só de pensar em viver um novo grande amor. E há que viver-lo, sem medo. Eu sempre digo, precisamos ir lá, viver, sentir, amar muito, e se quebrarmos a cara, consertamos, colamos, fazemos cirurgia plástica, mas precisamos viver (lembra disso, Lídia?).
Um dia sem amor, para mim, é um dia que não existe. Eu não existo. Não me sinto viva. Preciso, sempre, amar, algo ou alguém, e se eu conseguir, tudo e todos. Há quem pense que isso é carência ou incompletude, pode ser, não me importo, meu negócio é amar, é me sentir meio boba, flutuando, sorrindo e cantando à toa. E isso acontece, gente, muito.
Para quem tem muita dificuldade, tome uma boa cachaça de salinas, comece a sorrir mais, olhe-se no espelho e diga – primeiramente - que se ama, ouça canções de amor, fale de amor e faça amor. Faça muito amor. Até cansar. Até não aguentar mais. Ame.
Cláudia e Lídia, gracias. Gracias pela coragem de deixar tudo e de mudar de país e de vida para viver um grande amor.
Buenos Aires, 15 de julio de 2010. 13h14. Em meio a leitura de Espectros de Marx. O amor me estala. Acho que devo amar Marx e a necessidade urgente da revolução.
Penso na dor ou na incompletude de alguém que nunca tenha vivido um grande amor. Desses que nos fazem perder a cabeça e deixar tudo, tudo, para vivê-lo. Por isso, este post, é em homenagem a duas amigas que tiveram a coragem de viver um grande amor, talvez o maior da vida delas: a brasileira Lídia Amorim e a chilena Cláudia Campos.
Chicas, eu me sinto orgulhosa de vocês e, sinceramente, sinto uma pequena invejinha. Meu coração palpita só de pensar em viver um novo grande amor. E há que viver-lo, sem medo. Eu sempre digo, precisamos ir lá, viver, sentir, amar muito, e se quebrarmos a cara, consertamos, colamos, fazemos cirurgia plástica, mas precisamos viver (lembra disso, Lídia?).
Um dia sem amor, para mim, é um dia que não existe. Eu não existo. Não me sinto viva. Preciso, sempre, amar, algo ou alguém, e se eu conseguir, tudo e todos. Há quem pense que isso é carência ou incompletude, pode ser, não me importo, meu negócio é amar, é me sentir meio boba, flutuando, sorrindo e cantando à toa. E isso acontece, gente, muito.
Para quem tem muita dificuldade, tome uma boa cachaça de salinas, comece a sorrir mais, olhe-se no espelho e diga – primeiramente - que se ama, ouça canções de amor, fale de amor e faça amor. Faça muito amor. Até cansar. Até não aguentar mais. Ame.
Cláudia e Lídia, gracias. Gracias pela coragem de deixar tudo e de mudar de país e de vida para viver um grande amor.
Buenos Aires, 15 de julio de 2010. 13h14. Em meio a leitura de Espectros de Marx. O amor me estala. Acho que devo amar Marx e a necessidade urgente da revolução.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Se hay noche, hay fiesta
Tá, vocês estão assustado, eu sei, eu nunca fui muito baladeira. Mas estou, realmente, com vontade de fazer este experimento sociológico. Eu sempre digo brincando que vim pra Buenos Aires fazer Mestrado e que pesquiso promiscuidade com metodologia participante. Quem sabe não é a hora de colocar isso em prática?
Mas, meus caros amigos, ainda falta muito pra que eu chegue nesse nível...Mas estou muito feliz por começar a esperar alguma coisa de um sábado à noite. No último sábado, finalmente, me senti bem. Bem, como nos sentíamos nos boliches de La Paz, se lembram? Eu bebi, dancei, curti muito, numa festa muito boa e.........., o melhor, na casa de um amigo argentino. Acreditam? Podem acreditar, mas é um dos únicos. E o melhor de tudo, das cerca de 300 pessoas que haviam ou passaram pela festa, calculo, nem 10% eram porteños. Mas um motivo pra festa ter sido boa. Bem, a festa foi uma despedida para o Nico e a Loli, franceses que estavam fazendo intercâmbio aqui. Festa à fantasia com nomes começados com S.....
Pra finalizar, deixo uma frase do Nico, que tá estampada na casa: Se hay noche, hay fiesta.
Mas, meus caros amigos, ainda falta muito pra que eu chegue nesse nível...Mas estou muito feliz por começar a esperar alguma coisa de um sábado à noite. No último sábado, finalmente, me senti bem. Bem, como nos sentíamos nos boliches de La Paz, se lembram? Eu bebi, dancei, curti muito, numa festa muito boa e.........., o melhor, na casa de um amigo argentino. Acreditam? Podem acreditar, mas é um dos únicos. E o melhor de tudo, das cerca de 300 pessoas que haviam ou passaram pela festa, calculo, nem 10% eram porteños. Mas um motivo pra festa ter sido boa. Bem, a festa foi uma despedida para o Nico e a Loli, franceses que estavam fazendo intercâmbio aqui. Festa à fantasia com nomes começados com S.....
Pra finalizar, deixo uma frase do Nico, que tá estampada na casa: Se hay noche, hay fiesta.
Desisti!
Não se assustem, meus amigos.
Eu não desisti de viver em Buenos Aires. Alguém, por acaso, esqueceu que eu sou casca grossa? Claro, por dentro, coração derretido, morrendo de saudade de todos vocês, de compartilhar meus comentários mal educados e picantes, e principalmente, os sonhos.
Eu estou re-vivendo a fase samba, da qual, na verdade, nunca saí. Mas, agora, que estou aqui, ouço e canto de uma forma diferente. Eu lembro das nossas noites sambando, fosse em Condor Iquiña, no Chop 10 ou em qualquer outro lugar onde desse para sambar um pouquinho. “Eu quero morrer numa batucada de bamba, na cadência bonita do samba....”. E, eu peço, somente, que Pachamama não permita que eu morra sem voltar pro meu país, sem poder sambar outra vez.
Mas, tô desviando o assunto, só para variar. Que jornalista (será?) mais prolixa....
Do que eu desisti? De viver rodeada por argentinos.
Primeiro, explico. Eu estou aquí desde abril, exatamente 10 de abril. E ainda não consigo entender e aceitar a cultura, o modus vivendi, ou as formas de sociabiliade (eu passei a semana lendo “Cuestiones fundamentales de Sociologia, de Georg Simmel....é hilário, e esse conceito é um dos conceitos trabalhados no livro, mas ele estuda até paquera, achei genial...). No começo, tentei manter-me longe dos brasileiros, queria ter amigos daqui, mas agora vi que meus compatriotas são o melhor povo do mundo. Não posso viver longe deles!
Explicando.....
A maioria das pessoas aqui, como havia comentando num post anterior, não se olha. E isso é chocante para nossa cultura tão zoiádora. Mas bem, além disso, confirmei a maioria dos pré-conceitos que tinha em relação aos hermanos.
E a confirmação veio, não somente do meu poder sociológico de observação participante, mas da boca deles, já que os que se tornaram meus amigos, assumem essas “características”.
E o quais seriam estas características? Eles são muito mal humorados, tenho a impressão de que já amanhecem “cagados” (expressão que usei muito na Bolívia e incorporei ao meu vocabulário, seria a tradução do nosso “enfezado”) e me pergunto porque carajos saem de casa.....ou por que é que nasceram.
Depois, a velha piadinha de “Vá a Buenos Aires e volto rico: compre um argentino pelo que vale e venda-o depois pelo que ele pensa que vale” (ai, isso me faz recordar do Cap. I do Capital: a mercadoria.....que li no mês passado, mas vou me abster de comentar....). Eles realmente se acham. São arrogantes, propotentes e brigões. Tenho impressão, às vezes, que o esporte nacional é brigar porque qualquer coisa. No Guia de ruas de Buenos Aires, eles inventaram: o doce de leite, a caneta, o transporte urbano (!), etc. Mas o mais uff de tudo foi ouvir que os argentinos inventaram a sociologia (durante minha aula de Sociologia da Cultura no Mestrado). E eles se acham os europeus do continente. Afinal, eles tem um cultura rebuscada, vão a museus, cinema, teatro, blábláblá.
Bem, esse é o retrato das pessoas mal humoradas, das quais desisti. Das quais quero manter a distância máxima permitida e manter somente as relações que forem realmente necessárias. Mas, felizmente, aqui é um lugar onde se encontra de tudo e para todos os gostos. Aqui, também, não posso reclamar, já encontrei pessoas maravilhosas que me ajudaram muito. E adorammmmmmmmm o nosso “jeitinho” brasileiro. São muito amáveis e hospitaleiros. E, muitas pessoas que eu definia como “mal humoradas” conseguiram transitar na minha escala de sociabiliade e se transformaram em pessoas queridas para mim. Eles são como nossas castanhas, primeiro precisa quebrar a casca dura e porosa para depois chegar no que é realmente bom. Mas, um dia, quem sabe, poderão aprender com a gente que “reclamar só das rugas” e que sorrir é o melhor tempero para a vida. Por isso, eu sigo, ando pelas ruas sorrindo como boba num frio insuportável e digo “Hola” pra todo mundo que me olha, do mendigo, traveco, ao Doutor.
10 de julio de 2010
Eu não desisti de viver em Buenos Aires. Alguém, por acaso, esqueceu que eu sou casca grossa? Claro, por dentro, coração derretido, morrendo de saudade de todos vocês, de compartilhar meus comentários mal educados e picantes, e principalmente, os sonhos.
Eu estou re-vivendo a fase samba, da qual, na verdade, nunca saí. Mas, agora, que estou aqui, ouço e canto de uma forma diferente. Eu lembro das nossas noites sambando, fosse em Condor Iquiña, no Chop 10 ou em qualquer outro lugar onde desse para sambar um pouquinho. “Eu quero morrer numa batucada de bamba, na cadência bonita do samba....”. E, eu peço, somente, que Pachamama não permita que eu morra sem voltar pro meu país, sem poder sambar outra vez.
Mas, tô desviando o assunto, só para variar. Que jornalista (será?) mais prolixa....
Do que eu desisti? De viver rodeada por argentinos.
Primeiro, explico. Eu estou aquí desde abril, exatamente 10 de abril. E ainda não consigo entender e aceitar a cultura, o modus vivendi, ou as formas de sociabiliade (eu passei a semana lendo “Cuestiones fundamentales de Sociologia, de Georg Simmel....é hilário, e esse conceito é um dos conceitos trabalhados no livro, mas ele estuda até paquera, achei genial...). No começo, tentei manter-me longe dos brasileiros, queria ter amigos daqui, mas agora vi que meus compatriotas são o melhor povo do mundo. Não posso viver longe deles!
Explicando.....
A maioria das pessoas aqui, como havia comentando num post anterior, não se olha. E isso é chocante para nossa cultura tão zoiádora. Mas bem, além disso, confirmei a maioria dos pré-conceitos que tinha em relação aos hermanos.
E a confirmação veio, não somente do meu poder sociológico de observação participante, mas da boca deles, já que os que se tornaram meus amigos, assumem essas “características”.
E o quais seriam estas características? Eles são muito mal humorados, tenho a impressão de que já amanhecem “cagados” (expressão que usei muito na Bolívia e incorporei ao meu vocabulário, seria a tradução do nosso “enfezado”) e me pergunto porque carajos saem de casa.....ou por que é que nasceram.
Depois, a velha piadinha de “Vá a Buenos Aires e volto rico: compre um argentino pelo que vale e venda-o depois pelo que ele pensa que vale” (ai, isso me faz recordar do Cap. I do Capital: a mercadoria.....que li no mês passado, mas vou me abster de comentar....). Eles realmente se acham. São arrogantes, propotentes e brigões. Tenho impressão, às vezes, que o esporte nacional é brigar porque qualquer coisa. No Guia de ruas de Buenos Aires, eles inventaram: o doce de leite, a caneta, o transporte urbano (!), etc. Mas o mais uff de tudo foi ouvir que os argentinos inventaram a sociologia (durante minha aula de Sociologia da Cultura no Mestrado). E eles se acham os europeus do continente. Afinal, eles tem um cultura rebuscada, vão a museus, cinema, teatro, blábláblá.
Bem, esse é o retrato das pessoas mal humoradas, das quais desisti. Das quais quero manter a distância máxima permitida e manter somente as relações que forem realmente necessárias. Mas, felizmente, aqui é um lugar onde se encontra de tudo e para todos os gostos. Aqui, também, não posso reclamar, já encontrei pessoas maravilhosas que me ajudaram muito. E adorammmmmmmmm o nosso “jeitinho” brasileiro. São muito amáveis e hospitaleiros. E, muitas pessoas que eu definia como “mal humoradas” conseguiram transitar na minha escala de sociabiliade e se transformaram em pessoas queridas para mim. Eles são como nossas castanhas, primeiro precisa quebrar a casca dura e porosa para depois chegar no que é realmente bom. Mas, um dia, quem sabe, poderão aprender com a gente que “reclamar só das rugas” e que sorrir é o melhor tempero para a vida. Por isso, eu sigo, ando pelas ruas sorrindo como boba num frio insuportável e digo “Hola” pra todo mundo que me olha, do mendigo, traveco, ao Doutor.
10 de julio de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
¿Por que me miras, boludo?
¿Por que me miras, boludo?
Esta seria a resposta básica de uma mulher argentina quando percebe que um homem está olhando para ela. É, aqui é muito estranho, pode dizer. Acho que uma das coisas das quais tenho mais saudade é olhar e ser olhada. Eu olho aqui, óbvio, faço questão, mas é diferente.
Pelas ruas de Buenos Aires, as pessoas caminham olhando para o chão ou para algo que não é você. Olhares não se cruzam. E quando se cruzam, muitas vezes se sentem ofendidos. Pelo menos esta é a impressão que eu tenho.
Bem, eles não entendem quanta poesia existe em olhar. Olhar e ser olhado. Em como, de repente, você pode sentir algo muito bom ao cruzar teu olhar com o de um velhinho e abrir-lhe um sorriso amável. Peraí, sorriso? Sorrisos na rua são proibidos. Eu tenho minhas teorias, acho que é o frio e a falta de sol.
O que seria da bossa nova sem o olhar?
Já dizia Tom Jobim:
"Esse seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar"
Bem, pra quem espera uma postura minha a respeito, conto o que faço. Eu olho, olho mesmo, com aquele olhar examinador que fazemos no Brasil, como quem examina a pessoa da cabeça aos pés. E é muito divertido ver como as pessoas se assustam. As putas e os travestis que trabalham aqui ao lado de casa, sorriem e eu digo como estan hermosas.....
Bem, vou continuar caminhando e olhando. Olhando muito. Não vou perder esse costume tão gostoso da nossa terra.
Esta seria a resposta básica de uma mulher argentina quando percebe que um homem está olhando para ela. É, aqui é muito estranho, pode dizer. Acho que uma das coisas das quais tenho mais saudade é olhar e ser olhada. Eu olho aqui, óbvio, faço questão, mas é diferente.
Pelas ruas de Buenos Aires, as pessoas caminham olhando para o chão ou para algo que não é você. Olhares não se cruzam. E quando se cruzam, muitas vezes se sentem ofendidos. Pelo menos esta é a impressão que eu tenho.
Bem, eles não entendem quanta poesia existe em olhar. Olhar e ser olhado. Em como, de repente, você pode sentir algo muito bom ao cruzar teu olhar com o de um velhinho e abrir-lhe um sorriso amável. Peraí, sorriso? Sorrisos na rua são proibidos. Eu tenho minhas teorias, acho que é o frio e a falta de sol.
O que seria da bossa nova sem o olhar?
Já dizia Tom Jobim:
"Esse seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar"
Bem, pra quem espera uma postura minha a respeito, conto o que faço. Eu olho, olho mesmo, com aquele olhar examinador que fazemos no Brasil, como quem examina a pessoa da cabeça aos pés. E é muito divertido ver como as pessoas se assustam. As putas e os travestis que trabalham aqui ao lado de casa, sorriem e eu digo como estan hermosas.....
Bem, vou continuar caminhando e olhando. Olhando muito. Não vou perder esse costume tão gostoso da nossa terra.
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